1708: nasce a Vila de N S de Monserrathe da Parnahiba
Diderot Mavignier
As abençãos do povo parnaibano pelos 310 Anos de História.
Há exatos 310 anos, chegava ao litoral do Piauí, o capitão-mor João Gomes do Rego, obedecendo a ordens para instalação de uma vila no delta do rio Parnaíba.
A França, excluída do Tratado de Tordesilhas, tentou durante os séculos XVI e XVII estabelecer uma colônia no Novo Mundo. Primeiro a França Antártica quando invadiu a baía da Guanabara no Rio de Janeiro; e depois a França Equinocial quando fundou a cidade de São Luís no Maranhão.
Por conta destas invasões, e sendo Portugal aliado e parceiro de tratados militares e comerciais com a Inglaterra que tinha velhos conflitos com a França, os reis portugueses sempre esperaram por retaliações vindas da parte dos franceses, sendo o extenso litoral brasileiro motivo de preocupação do Conselho Ultramarino. Esse impasse culminaria no Bloqueio Continental e a invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão, forçando a Família Real a se transferir para América Portuguesa.
Em 1699, o rei dom Pedro II manda o coronel de infantaria da ordenança da capitania do Ceará, Leonardo de Sá, inspecionar as barras do rio Parnaíba, e por este feito ganha sesmaria às margens do rio Igarassu, o braço mais oriental do delta parnaibano. Por conta da resistência dos índios, não consegue se estabelecer.
Foi com sentido de defesa que nasceu a Vila de N S de Monserrathe da Parnahiba. A cavaleiro do Atlântico, a nova vila tinha a missão de franquear o rio Parnaíba e o seu delta, local vulnerável e de possível preferência para uma invasão estrangeira. E assim, no dia 19 de Maio de 1708, João Gomes do Rego deu princípio a fundação dela (doc. da Torre do Tombo, Lisboa, Portugal). João Gomes foi nomeado ao posto de capitão-mor da nova vila pelo governador do Estado do Maranhão e Grão-Pará, Cristóvão da Costa Freire, com confirmação do rei dom João V no dia 16 de dezembro de 1711.
Como parceiro e administrador das terras piauienses do sertanista baiano da Casa da Torre, Pedro Barbosa Leal, João Gomes instalou as primeiras fazendas, salinas, e oficinas de couro e charque no litoral do Piauí. Para a Fé Católica, construiu a capela de N S de Monserrathe, e 1825 recebeu do governador do Estado do Maranhão e Grão-Pará, João da Maia da Gama, a primeira sesmaria da Ilha Grande de Santa Isabel, a maior ilha do delta parnaibano. João Gomes foi o primeiro capitão-mor da nascente vila, ficando como assentador do marco fundador-histórico da Parnaíba.
João Gomes do Rego e os seus soldados enfrentaram a fúria dos temíveis índios tremembés que não aceitavam a invasão de suas terras. Lutaram auxiliados pelos mestres-de-campo Antônio da Cunha de Souto Maior (morto em combate pelos índios em 1712), e Bernardo de Carvalho e Aguiar (do arraial militar de Bitorocara no Norte do Piauí). Os maiores embates aconteceram na Confederação dos Tapuias do Norte [1712-1721], onde os nativos foram chefiados pelo índio guerreiro Mandu Ladino. Emboscado no delta do Parnaíba, Ladino foi fuzilado em 1716, ou 1718, pelo então sargento-mor da Vila de N S de Monserrathe, Manoel Peres Ribeiro, tentando escapar a nado cruzando o rio.
A florescente vila teve como os seus primeiros administradores o capitão-mor João Gomes do Rego, o sargento-mor Manoel Peres Ribeiro, e o capitão-mor Antônio de Oliveira Lopes.
Meio século depois, a Vila de N S de Monserrathe da Parnahiba tornou-se a Vila de São João da Parnahiba, e em 1844, foi elevada a categoria de Cidade da Parnahiba.
Portanto, neste 19 de Maio de 2018, a invicta Parnaíba jubilosamente completa os seus 310 anos.


