Esquema de falsas cartas de crédito teria causado prejuízo milionário e atingido mais de 700 pessoas em Parnaíba
As investigações sobre um possível esquema de fraude financeira envolvendo a oferta de cartas de crédito continuam avançando e já revelam números preocupantes em Parnaíba. De acordo com levantamentos iniciais, mais de 700 moradores do município podem ter sido lesados, com prejuízo estimado que pode ultrapassar a marca de R$ 4 milhões. O caso também passou a reunir denúncias em cidades do Maranhão, o que reforça a suspeita de uma atuação que ultrapassa fronteiras estaduais.
Na última semana, o ponto comercial ligado ao grupo investigado em Parnaíba encerrou as atividades de forma repentina. A justificativa apresentada foi a realização de um serviço de dedetização, mas autoridades avaliam a possibilidade de que o fechamento tenha ocorrido para dificultar a coleta de provas relacionadas às irregularidades denunciadas por clientes e ex-funcionários.
Além das reclamações de consumidores, relatos de pessoas que trabalharam no local chamaram a atenção dos investigadores. Segundo esses depoimentos, as condições de trabalho seriam irregulares, com poucos vínculos formais e jornadas extensas, incluindo finais de semana e feriados. Também há relatos de cobrança excessiva por metas diárias e pressão para que empregados utilizassem perfis pessoais em redes sociais como ferramenta de divulgação. Quem não seguia as orientações ou não alcançava os resultados exigidos, segundo as denúncias, sofria constrangimentos e podia ser desligado.
Com o aprofundamento das apurações, surgem indícios de uma estrutura organizada, com diferentes núcleos de atuação. Há suspeitas de que o grupo mantinha operações tanto no Piauí quanto no Maranhão, utilizando várias frentes para ampliar a captação de clientes. Parte dos envolvidos já responde a procedimentos por crimes contra o patrimônio, e novas linhas de investigação seguem sendo abertas.
O modo de operação descrito pelas vítimas aponta que as propostas envolviam cartas de crédito de valores elevados, mediante o pagamento de uma entrada média em torno de R$ 5 mil. A promessa era de liberação rápida, geralmente em até três meses. Quando o prazo não era cumprido, a responsabilidade era atribuída a vendedores, numa tentativa de afastar a empresa das obrigações assumidas com os clientes.
Após a repercussão do caso, investigadores também passaram a analisar o comportamento digital de pessoas ligadas ao esquema. Perfis em redes sociais teriam sido desativados logo após a intensificação das denúncias, o que pode indicar tentativa de ocultação ou destruição de indícios.
Em Parnaíba, a divulgação do caso fez com que um grande número de vítimas procurasse a polícia para registrar ocorrências e apresentar documentos. Situação semelhante foi observada em municípios maranhenses, onde também houve aumento significativo de boletins de ocorrência. Diante do volume de denúncias, as autoridades avaliam reforçar as equipes envolvidas para avançar nas diligências e esclarecer totalmente o alcance do suposto golpe. As investigações seguem em andamento.
Entenda o caso
Na última terça-feira (6), a Polícia Civil do Piauí realizou a prisão de um homem suspeito de envolvimento em golpes de estelionato na capital do estado. A ação foi conduzida por equipes de uma delegacia seccional, com suporte de setores especializados em operações e inteligência. As apurações indicam que ele atuava como representante de um negócio que oferecia serviços financeiros e utilizava essa estrutura para atrair vítimas.
Conforme as investigações, os clientes eram induzidos a acreditar que estavam adquirindo cartas de crédito já contempladas, com liberação imediata dos valores. No entanto, após a assinatura, descobriam que se tratava apenas de um contrato comum de consórcio, sem garantia de recebimento imediato. A polícia aponta que o suspeito já é alvo de outros procedimentos pelo mesmo tipo de prática, que teria causado prejuízos financeiros a diversas pessoas.
