O desaparecimento de dois irmãos em Bacabal, no Maranhão, continua sem uma resposta definitiva oito meses depois. Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram no dia 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural do município.

Na ocasião, os dois estavam acompanhados de um primo, de 8 anos. O menino foi encontrado com vida três dias depois, mas Ágatha e Allan nunca mais foram localizados. Desde então, buscas foram realizadas na região, com participação de forças de segurança e voluntários, mas nenhuma informação conclusiva sobre o paradeiro dos irmãos foi divulgada.

Operação nos Estados Unidos trouxe uma possibilidade

O caso ganhou uma nova possibilidade de investigação depois de uma operação realizada nos Estados Unidos.

A ação, chamada de Operation Statewide Shield, localizou 163 crianças e adolescentes na Flórida. Segundo as autoridades americanas, os menores tinham entre dois meses e 17 anos e estavam em diferentes situações de vulnerabilidade, incluindo casos de abuso, negligência e exploração. A operação também envolveu outros locais fora da Flórida e alcançou 12 países.

A presença de crianças brasileiras entre os resgatados chamou a atenção da família de Ágatha e Allan. A defesa entrou em contato com o Consulado-Geral do Brasil em Miami para verificar se havia alguma relação entre os menores encontrados nos Estados Unidos e os irmãos desaparecidos.

Até o momento, porém, não existe confirmação de que Ágatha ou Allan estejam entre as crianças resgatadas.

Possível identificação de Allan

Nesta quarta-feira (9), após uma reunião com representantes da Polícia Federal, a defesa informou que existe um indicativo de que uma das crianças localizada nos Estados Unidos possa ser Allan.

A possibilidade surgiu depois que a mãe observou características semelhantes às do filho em imagens de uma das crianças localizadas. A suspeita, no entanto, ainda precisa ser confirmada oficialmente.

Para isso, foi realizada a coleta de material genético da mãe. O próximo passo é fazer o confronto de DNA com o material da criança que está nos Estados Unidos.

Interpol amplia possibilidade de buscas

Além da possibilidade envolvendo os Estados Unidos, o caso passou a contar com uma nova frente de cooperação internacional.

A Polícia Federal informou nesta quarta-feira (9) que recebeu uma solicitação para incluir Ágatha e Allan na Difusão Amarela da Interpol, mecanismo utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas, inclusive em outros países.

O pedido ainda será analisado pela Polícia Federal. Caso seja encaminhado, caberá à própria Interpol avaliar as informações e decidir sobre a publicação e o compartilhamento do alerta com os países membros da organização.

Na prática, a medida pode ampliar o alcance das buscas e facilitar a troca de informações entre autoridades de diferentes países, caso surjam pistas de que as crianças estejam fora do Brasil.

Caso continua sem solução

Mesmo com a nova possibilidade envolvendo uma criança localizada nos Estados Unidos e com o apoio da cooperação policial internacional, Ágatha e Allan continuam oficialmente desaparecidos.

Ainda não há confirmação de que Allan seja a criança localizada nos Estados Unidos, e também não há informação que confirme que os irmãos estejam fora do Brasil.

O confronto de DNA será fundamental para esclarecer essa possibilidade. Enquanto isso, a investigação continua e a família mantém a esperança de finalmente descobrir o que aconteceu com as duas crianças.