LIBRAS E MEDALHAS

Vitor de Athayde Couto

Com a decadência do império americano que, como todo império, cai atirando, já estamos vivendo a nova ordem mundial multipolar previamente anunciada por analistas geopolíticos responsáveis, estudiosos e atualizados.

Disneylândias e filmes da Marvel já não são mais eficazes como antes, quando eram o carro-chefe do soft power. Mas, no interior do Brasil, o entretenimento ainda faz sucesso. O erário municipal compra shows caríssimos e constrói palcos,  cachaçódromos, farofódromos, estádios e parquinhos com telões, para alegria dos sedentários sedentos de cervejas estupidamente. Agradecida, a arquibancada invade clínicas, laboratórios, hospitais, farmácias e academias.

Bem longe daqui, nos países que lideram o novo mundo multipolar, valoriza-se a inovação que transforma conhecimento em infraestrutura, produtos e serviços civis e militares, com tecnologias de última geração movimentando finanças independentes do dólar americano. Planejamento com metas bem definidas, inclusive de longo prazo, incentiva a inovação de produtos e processos.

Não faz sentido gastar verba pública para financiar viagens e hospedagens em hotéis estrelados, onde se apresentam papers que atendem pelo apelido de “artigos científicos”, sem nenhuma consequência prática para a sociedade ou para o mercado. Quando as instituições de pesquisa dedicam-se apenas a reproduzir o velho conhecimento básico ou fundamental, o esforço “científico” não é capaz de gerar novos produtos ou processos.

Enquanto isso, em algum lugar do passado, jovens estudantes dedicam-se ao aprendizado da linguagem de libras para colar durante as provas. E, mesmo acordados, colecionam medalhas que ilustram os seus sonhos.

Medalhas não resolvem problemas de fome, segurança e saúde. Medalhas não constroem infraestrutura. Medalhas não criam novos produtos, nem serviços, nem empregos.

Ninguém precisa de medalhas. No entanto, os chineses produzem e vendem medalhas aos milhões, para alegria das famílias. Seria esse o novo soft power?

OBSERVAÇÃO: Ifé continua ausente e nunca mais tive acesso às suas notas de leitura. Espero que ela volte.

Ouça o áudio com a narração do autor:

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