NÃO É A ECONOMIA
(Artigo de opinião)
Vitor de Athayde Couto
Na sexta-feira 26/12/2025, publiquei neste Portal Costa Norte, e no Youtube, a crônica “Religiões: Notas de leitura 7” que concluí assim, sem medo de errar: “Não é a Economia, estúpido. É a religião.” Eu me referia ao Brasil, invertendo a célebre frase de James Carville, estrategista da campanha presidencial de Bill Clinton. Ele estava se referindo aos Estados Unidos de 1992, que era outra sociedade, ao declarar: “É a Economia, estúpido!”
Três semanas depois da publicação da crônica, ao ser entrevistado pelo UOL, em 19/01/2026, o ministro Fernando Haddad declarou que, no Brasil, “o fator determinante para a eleição presidencial de 2026 não será a Economia”.
Passados quatro dias, parecendo confirmar que o fator determinante é mesmo a religião, irmã Mônica pediu a Deus que enviasse raios e chuvas intensas para acabar com a caminhada do Níkolas. Fartamente decorada com slogans religiosos, dois dias depois, a caminhada de fato foi atingida por uma tempestade, com direito a raios e trovões. Era domingo 25/01/2026.
Os links acima são importantes para que o leitor possa comprovar as notícias. Ao contrário das crônicas, que requerem ingredientes como ideias, criatividade, imaginação, artigos de opinião são análises de fatos reais. Análises científicas não têm nada a ver com os ingredientes literários que levam à ficção – embora tudo no Brasil pareça ficção.
O leitor pode estar se perguntando como faço minhas previsões para concluir que não é a Economia o fator determinante nas eleições. Ora, a irmã Mônica, além de influenciadora, é considerada uma figura religiosa importante. Ela deve utilizar-se de recursos que não são deste mundo. Isso lhe permite fazer não só profecias, mas também intervenções diretas na realidade, como fazer chover.
Quanto a mim só me resta recorrer à análise dos fatos econômicos, apoiado em teorias e método. Para isso, disponho apenas de alguns indicadores – mas garanto que todos eles são deste mundo.
Não é preciso ser economista para observar os seguintes resultados positivos da economia brasileira: inflação e custo de vida sob controle; salário mínimo com ganhos reais (acima da inflação); nível de desemprego e dólar em queda; recordes na bolsa; entrada significativa de capitais externos; tudo isso além de crescimento regular do PIB, graças ao ambiente confiável de negócios.
Como as pesquisas não vêm sendo favoráveis ao governo – ou não condizem com os resultados econômicos obtidos –, só posso concluir que existem outros fatores que não a Economia. Quais seriam esses fatores?
Analistas políticos, com visão da sociedade muito mais abrangente do que a dos analistas “do mercado”, definem como sendo “costumes” os fatores mais importantes. E o que são “costumes”? Cícero exclamaria: O tempora! O mores! Ó tempos! Ó costumes!, referindo-se à depravação e corrupção de sua época.
No Brasil atual, qualquer coisa é mais importante do que a Economia, desde que passe pelo filtro dos influenciadores digitais e das igrejas. E não é só futebol, churrasco e cerveja. Todo dia mulheres são assassinadas, só porque são mulheres. E cães, só porque são comunitários.
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Não é a Economia - Por Vitor de Athayde Couto
