Dados do Núcleo de Estudos Avançados em Segurança Pública (DATASSP) revelam um aumento alarmante nos casos de feminicídio no Piauí, além de expor a vulnerabilidade das vítimas antes dos crimes. Entre 2022 e 2025, o estado registrou 182 assassinatos de mulheres, sendo 56 apenas em 2024 – um salto de 32% em relação a 2023. Só nos primeiros três meses de 2025, já foram contabilizados 18 feminicídios, indicando uma tendência de crescimento. Os números reforçam a urgência de políticas eficazes para conter a violência de gênero.

O estudo também detalha o perfil das vítimas: a cada 100 mulheres mortas, apenas 10 possuíam medida protetiva. Em 87,85% dos casos, não havia registro de boletim de ocorrência anterior ao crime, e 73% dos assassinatos ocorreram dentro da casa da vítima. Além disso, 68% dos agressores eram companheiros ou ex-companheiros, evidenciando que o risco maior está dentro do próprio lar. A falta de denúncias prévias pode estar ligada a medo, dependência financeira ou desconfiança na eficácia das medidas de proteção.

Especialistas destacam a necessidade de ampliar políticas públicas, como monitoramento eletrônico de agressores, fiscalização rigorosa de medidas protetivas e fortalecimento de delegacias especializadas. O debate ganha força diante da escalada da violência, que exige ações integradas para proteger mulheres e combater a impunidade. Enquanto isso, os números seguem ascendentes, escancarando uma realidade que precisa ser mudada.