O primeiro álbum de figurinhas relacionado à Copa do Mundo foi criado em 1950, ano em que o Brasil sediou o torneio pela primeira vez. Mesmo o maior torneio de futebol do mundo não tendo iniciado, em Parnaíba, a venda de figurinhas para a Copa virou febre e mantém a tradição. “A cada quatro anos há expectativa, o pessoal fica esperando, aí quando termina ele já fica pensando na próxima, como vai ser, aquela loucura, comprar figurinha, trocar, o pessoal compra, tem até um grupo de troca que eles se juntam, vêm aqui e trocam, no final da tarde, no sábado, aqui é uma loucura”, conta Manoel Coutinho, proprietário de banca de livros. 

Mesmo com a seleção brasileira sem ganhar títulos nas últimas Copas, seu Manuel Coutinho explica que a cada quatro anos o parnaibano mantém a expectativa e que as vendas nesse período aumentam. Os valores dos álbuns variam entre R$ 25 e R$ 80. “A venda está bastante tensa, a procura é grande, isso porque só chegou a primeira versão, ainda vai ser lançado outras versões, que é o capa dura, no momento só tem o brochura, que é aquele normalzinho mesmo”, explica Manoel.

A venda de figurinhas se tornou negócio entre os colecionadores. Através de grupos de WhatsApp, eles se comunicam e marcam trocas e vendas. Durval Gomes é colecionador e conta como faz para conquistar suas figurinhas. “Vim do Bairro Nova Parnaíba e estou trocando, todo mundo está trocando as figurinhas e fizeram um grupo lá, onde todo mundo se reúne e marca um ponto de trocar as figurinhas. E foi interessante”.

Já Lucas Araújo, outro colecionador, fala sobre as conquistas das figurinhas raras, ele têm outra estratégia. “Estou tentando não completar o álbum todo, estou tentando completar só algumas seleções. Esse ano, particularmente, é a Copa de muitos que vão se aposentar, então, estou colecionando alguns desses que vão encerrar a carreira agora nessa Copa”. 

Entre figurinhas raras e repetidas, a busca pela última estrela vira uma aventura entre amigos e familiares. Mais do que um passatempo, colecionar é celebrar a magia do futebol através de pequenos pedaços de papel. “Eu fui na casa esses dias de um senhor, que ele tem até um comércio lá em Luiz Correia, mas ele mora aqui em Parnaíba, ele me mostrou o álbum dele da Copa de 1970. É muito massa”, relata Alexsandro Rodrigues, colecionador. Então você vê que não é de agora, é de muitos anos. Alexsandro coleciona e guarda os álbuns desde a Copa de 2010. Ele mantém cada figurinha rara trancada a sete chaves. Como todo bom colecionador, ele relembra o início dessa paixão. “Desde criança, eu me lembro muito da época da Copa de 2006, que eu morava em São Paulo, as ruas pintadas, as bandeirinhas, brincava muito bola na rua com os amigos. Então, aquela paixão que eu via na população sempre me despertou para querer assistir mais futebol. Mas quando você vê todo mundo junto torcendo pela seleção, é diferente, é muito legal. Aí, de quatro em quatro anos, eu entro na brincadeira e é muito bom, é satisfatório”, completa.

 

Reportagem: Pablo Portugal