Quando o aprendizado rompe as paredes da sala de aula, a história ganha cor, textura e movimento. Foi com esse espírito que alunos do 9º ano da Escola SESI Integrada deixaram as carteiras escolares para encarar uma verdadeira imersão cultural pelos caminhos da Ilha de Santa Isabel, em Parnaíba. A iniciativa, promovida pelo SESI Cultura, levou os estudantes a uma jornada prática entre o artesanato tradicional em palha de carnaúba, ateliês de cerâmica e apresentações de dança folclóricas, conectando o currículo pedagógico ao sentimento de pertencimento e à valorização das raízes piauienses.

A programação nacional busca integrar o conhecimento acadêmico à vivência com mestres da cultura popular. No espaço Trançados da Ilha, os jovens aprenderam as técnicas de trançado da carnaúba com a artesã Dona Serrate, que destacou a satisfação em repassar um saber ancestral e “plantar uma sementinha” nas novas gerações. Na etapa seguinte, no ateliê de barro, os alunos moldaram a própria argila sob a orientação do artesão Cássio Lima, que ressaltou o valor pedagógico de mostrar todo o processo de produção por trás de uma peça artesanal. A imersão foi encerrada com apresentações de dança no Ponto de Cultura Raízes do Nordeste, onde a diretora artística Fabiana Reis enfatizou como essa ponte entre escola e comunidade expande os horizontes dos estudantes.

Para a gestão e coordenação do projeto, a experiência cumpre um papel fundamental no desenvolvimento intelectual e social dos jovens. Leidiane Abreu, diretora da Escola SESI Integrada, pontuou que ações como essa garantem o acesso ao teatro e a patrimônios locais que muitos alunos ainda não conheciam. Já Mônica Pessoa, coordenadora de Cultura do SESI Piauí, ressaltou que a escolha dos roteiros priorizou a troca e a experimentação direta com o território, permitindo que os estudantes levem essas memórias e aprendizados para dentro de suas casas e rotinas familiares.

Para os estudantes, a aula de campo revelou um lado de Parnaíba até então desconhecido e proporcionou a oportunidade única de “colocar a mão na massa”, criando desde objetos em argila até peças em palha. Mais do que entender o esforço e a importância econômica do artesanato local, os jovens retornaram para casa com o orgulho de quem aprendeu algo novo e a consciência de que preservar a cultura é manter viva a própria história.