Feira no Sítio fortalece agrofloresta, empreendedorismo feminino e preservação ambiental em Parnaíba
Localizado às margens da BR-402, próximo ao Instituto Federal do Piauí (IFPI), o Sítio Caripina tornou-se referência em conservação e vida comunitária na Região Norte do estado. Abrigando a primeira Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de Parnaíba, e a sétima de todo o Piauí, a propriedade de pouco mais de 11 hectares foi o cenário da 11ª edição da Feira no Sítio, evento que reuniu sustentabilidade, artesanato e fortalecimento da economia local.

A história do espaço mistura memória afetiva e consciência ecológica. A área, que pertenceu originalmente ao avô da atual guardiã, Maria Augusta Costa, passou por um longo processo de transição pedagógica antes de se consolidar como unidade de conservação. “Passou do meu avô para minha mãe, que passou para mim, felizmente ainda em vida. Ao longo dos anos, fui transformando o local em um espaço-escola para semear a educação ambiental. Com o apoio de parceiros, entendi o papel da RPPN: qualquer proprietário privado pode destinar uma área para se tornar uma reserva perpétua. Esse pedaço da nossa propriedade agora é para sempre preservado”, destaca Maria Augusta.
A partir desse compromisso com a terra, surgiram parcerias para a realização de passeios ecológicos, visitas guiadas de escolas e universidades, além do manejo de um meliponário dedicado à criação de abelhas sem ferrão. A demanda de visitantes impulsionou a criação da feira comunitária, unindo a produção rural ao artesanato regional.
Muito além da comercialização, a Feira no Sítio funciona como uma vitrine para práticas sustentáveis e produtos de base agroecológica. Entre as iniciativas presentes destaca-se o trabalho da agroflorestorestora Manuela Dias, que produz biocosméticos a partir da destilação de óleos essenciais e do cultivo de plantas medicinais e aromáticas. “A base do meu trabalho é a agrofloresta. Participamos de toda a cadeia produtiva, elaborando desde saboaria natural até desodorantes e xampus sólidos. Quando partimos do princípio de regenerar a terra, estamos regenerando a nós mesmos”, explica Manuela.


A conscientização sobre os ciclos naturais também passa pela educação ambiental promovida no local. A consultora em meliponicultura Sandra Sousa ressalta o papel fundamental dos polinizadores na garantia da biodiversidade e na produção de alimentos. “As abelhas buscam o néctar para fazer o mel e o pólen como fonte proteica. Nessa visita às flores, elas viabilizam o aparecimento dos frutos das nossas matas. A feira acompanha todo esse ciclo”, pontua Sandra.
A longevidade e o impacto do evento dependem da integração entre a comunidade acadêmica e instituições de fomento financeiro. A feira consolidou-se como um espaço estratégico para o empreendedorismo feminino, impulsionado por programas como o Prodeter Mulher e ações de extensão universitária.
Genilson Dias, agente de desenvolvimento de instituição financeira, destaca a importância da atuação conjunta entre a Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), o Coletivo de Mulheres e órgãos como a FDPAR para viabilizar esses momentos. Complementando a visão de rede, a professora Darlene Santos, coordenadora do projeto de extensão Conexão Transformar na UFDPar, enfatiza que o objetivo principal é empoderar as produtoras: “Atuamos para viabilizar o acesso a crédito orientado e fortalecer a presença feminina no mercado da planície litorânea”, ressalta Darlene.


Para as artesãs e expositoras, como Teresina Fernandes, o espaço transcende a função comercial. “As pessoas vêm de todos os lugares para passear pelas trilhas e se reunirem. É um momento de lazer, troca e afeto”, afirma. Para quem frequenta o local, como a cliente assídua Patrícia dos Passos, a feira é um ponto de encontro com a qualidade de vida e a consumo consciente. “Encontro produtos alternativos e naturais, sem veneno, além de artesanatos diferenciados. É uma oportunidade única de conversar direto com quem produz e entender o processo”, relata.
Entre o zumbido das abelhas nativas, o aroma das plantas medicinais e as trilhas sob a sombra da mata preservada, a Feira no Sítio reafirma que o desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente podem, e devem, caminhar lado a lado.
Para saber mais informações e as próximas edições da Feira acesse o perfil @rppnsitiocaripina .
