Em uma das ações mais expressivas de combate ao crime organizado na região litorânea, as forças de segurança pública deflagraram a Operação Cerco das Águas. O objetivo principal da ofensiva foi desestruturar a base operacional da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que vinha expandindo sua influência no município de Parnaíba, com foco estratégico nos bairros Ilha Grande e Carandiru.

A operação culminou no cumprimento de 104 mandados judiciais, divididos entre ordens de prisão e de busca e apreensão. O alcance da ação ultrapassou as fronteiras piauienses, mobilizando equipes nos municípios de Parnaíba, Ilha Grande, Avelino Lopes e Teresina, além de ramificações em Chaval (CE) e no estado do Tocantins.

O desfecho desta operação é o resultado de um minucioso trabalho de inteligência que teve início ainda em 2024. Durante uma abordagem operacional de rotina, a Polícia Militar apreendeu um aparelho celular. A análise técnica do dispositivo revelou a existência de um grupo digital estritamente vinculado ao PCC, fornecendo os primeiros nomes e a dinâmica da organização na região. A partir dessa pista, a Polícia Civil aprofundou as investigações por meio de interceptações telefônicas e telemáticas autorizadas pela Justiça, mapeando a rede de apoio, o fluxo de comunicação e a hierarquia dos suspeitos.

As investigações apontaram que a engrenagem criminosa na região era sustentada pelo núcleo de um homem conhecido pela alcunha de “Seu Léo”. Apontado como a liderança regional do PCC em Parnaíba, ele já acumulava diversos mandados de prisão em aberto. O monitoramento policial também identificou novos integrantes cooptados pela facção, além de indivíduos com antecedentes no sistema prisional que atuavam no fortalecimento do grupo.

A Operação Cerco das Águas representa um golpe contundente na estrutura logística e de comunicação da facção no litoral, interrompendo um fluxo de consolidação territorial que vinha sendo monitorado pelas polícias.

A força-tarefa foi viabilizada pelo esforço conjunto e integrado entre a Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Civil Municipal e Polícia Penal, além de setores especializados de inteligência e apoio operacional.