Na era do streaming, onde a música está apenas a um toque de distância, outro movimento ganha força entre os jovens. É o resgate do hábito de ouvir música por meio dos discos de vinil, também conhecido como LPs. Para ouvir as faixas é preciso parar, olhar a capa e colocar o disco na vitrola, uma experiência que transforma o jeito de ouvir. Para Arthur Chanove, de 18 anos, esta é uma herança familiar, que vem da avó, da tia e também dos pais. 

“O meu primeiro contato foi na casa da minha avó, que ela tinha uma vitrola e uma pequena coleção de vinil e acabou que a gente estava sem internet, então a gente teve que apelar para os vinis que tinham lá.  Esse foi meu primeiro contato e realmente pude escutar, pegar, cuidar dos vinis. E aí quando eu voltei aqui para casa eu falei, nossa, eu quero ter os meus também, ter a minha coleção, a minha vitrola, o meu sistema de som e foi juntando a paixão que eu já tinha pela música. Um terço da minha coleção é da minha tia, que deixou guardado os discos de vinil, dos anos 80, anos 70”, relata o colecionador.

O gosto pela música é a fonte de motivação para se dedicar à coleção de LPs, um hobby que une relíquias da música popular brasileira e mundial e uma forma de trazer o artista para ainda mais perto, um sinal de que o comportamento de consumo de música vem se alterando. 

“Desde pequeno, ouvindo muita música em casa, minhas tias, meus pais, meus avós, foi de criação mesmo, música brasileira, música estrangeira, pop, rock, MPB, tudo que era possível a gente escutava em casa e formou completamente o meu gosto musical que é hoje em dia”, explica. 

Mais do que uma preferência sonora, colecionar LPs se tornou um traço de identidade, uma ponte que conecta jovens a uma época que eles não viveram, mas que diz muito sobre como eles querem se expressar no presente.

“Um raro é esse daqui do Djavan, que é o primeiro álbum dele de estúdio, que pra mim tem esse peso de ser um álbum único e, ainda, ter sido herdado pela minha tia, então, tem um peso a mais, tem um sentimentalismo ali, mas outros que eu gosto muito mesmo, que são clássicos, é o Thriller do Michael Jackson e o rock que eu amo, que é o Animals do Pink Floyd”, relembra Arthur. 

Esse charme retrô de ouvir música na vitrola vem conquistando cada vez mais espaço na nova geração, um hábito que segue resistindo ao tempo. Então, Arthur colocou para nossa equipe ouvir o álbum ‘Thriller’, pois todo mundo conhece e, segundo ele, todo mundo ama o Michael Jackson. 

 

Reportagem: Myvrian Braga