Parnaíba entra na era da inovação com aula magna do curso de Bacharelado em Inteligência Artificial da UFDPar
A Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) deu um passo estratégico no fortalecimento do ensino superior e do setor tecnológico no Piauí ao abrir as portas para o primeiro curso de Bacharelado em Inteligência Artificial da região. Com duração de quatro anos, a graduação nasce com o status de pilar estruturante da instituição, voltada para a formação de profissionais capazes de responder aos grandes desafios globais e impulsionar o desenvolvimento territorial.
De acordo com o reitor da UFDPar, João Paulo Macêdo, a criação do bacharelado representa um marco para a universidade e para o município. “A abertura do curso de Inteligência Artificial para a gente significa a abertura de uma frente estruturante na área tecnológica da nossa universidade aqui para Parnaíba. A gente poder congregar diferentes pesquisadores, fortalecer o desenvolvimento de novos talentos, agregar pesquisa, desenvolvimento e inovação e fortalecer a cultura da inovação na região. Significa que a gente possa ter mais cérebros aqui neste território para que os talentos fiquem e desenvolvam essa região”, destacou.
Diferente da abordagem voltada apenas ao uso de ferramentas populares para geração de textos e imagens, a proposta pedagógica da UFDPar busca preparar os discentes para desenhar e implementar novos modelos algorítmicos. O objetivo é transformar estudantes de meros consumidores de tecnologia em desenvolvedores autônomos.
“O curso de bacharelado em IA, ao invés de ensinar o aluno a utilizar a Inteligência Artificial, na verdade ensina o aluno a criar Inteligência Artificial. A gente vai sair de ser meros utilizadores e sim desenvolver os modelos, com a tentativa de reduzir a dependência de modelos e de empresas internacionais, como ocorre hoje”, explicou o coordenador do curso, Ariel Soares Teles.
Além da capacitação técnica voltada ao mercado de trabalho global, que permite a atuação em regime remoto —, a formação também incentiva o empreendedorismo acadêmico. “A gente tenta fazer com que os alunos criem os seus próprios negócios, já faturando e ganhando dinheiro com produtos desenvolvidos durante a graduação”, pontuou o coordenador.
Para assegurar a qualidade do ensino fora dos grandes eixos urbanos, a UFDPar vem estruturando seu corpo docente por meio de concursos públicos. A primeira seleção já garantiu o quadro necessário para o início das aulas do primeiro período, e um novo certame está previsto para ser lançado em setembro.
O reitor reconhece os desafios logísticos da implementação. “Naturalmente há um desafio, porque é uma área nova. São professores que acabam vindo de outras localidades, alguns da região, outros dos estados do Piauí, do Ceará ou do Maranhão. Mas é o desafio de poder implantar um curso novo e inovador fora dos grandes centros urbanos”, ponderou Macêdo.
A Inteligência Artificial já faz parte do cotidiano operacional da própria UFDPar. A equipe de Tecnologia da Informação da universidade vem desenvolvendo soluções que utilizam IA para otimizar a gestão administrativa e o acompanhamento pedagógico.
Atualmente, os acadêmicos contam com sistemas orientados por IA que informam indicadores sobre o número de faltas acumuladas, acompanham o rendimento por meio do Índice de Rendimento Acadêmico (IRA) e orientam o planejamento de disciplinas para conter taxas de retenção e evasão. Segundo a gestão, o cruzamento diário de dados tem servido de suporte direto para a tomada de decisões institucionais.
A primeira turma da graduação conta com 50 estudantes pioneiros, entre os quais destaca-se a presença de sete mulheres. Para a discente Rebeca Rocha, a escolha pelo curso veio acompanhada do reconhecimento da responsabilidade de ocupar um espaço majoritariamente masculino e da percepção da urgência do tema.
“Normalmente as pessoas falam que a tecnologia vai ser o futuro, mas na verdade é o agora. A gente vê que a IA está muito presente no nosso dia a dia e automatiza muitas coisas. Hoje as empresas não são nada sem IA. Antes eu não era muito envolvida na área, até que comecei a frequentar eventos de startups e me interessar. Quando surgiu a oportunidade, foi impossível não fazer”, relatou a estudante.
Sobre as perspectivas de atuação no mercado, Rebeca enxerga um leque diversificado de oportunidades, destacando o interesse em áreas como a saúde pública e hospitalar, frente que pode se integrar com a futura implantação do Hospital Universitário da UFDPar. “A IA é gigantesca e abrange muitas áreas. Ainda não é possível saber onde vou me encaixar exatamente, mas sei que posso cooperar com a sociedade”, concluiu.




