PENICO CHEIO

 

Vitor de Athayde Couto

 

– Não seria pinico?

– Depende. Pinico conjuga-se na primeira pessoa do presente do indicativo do verbo pinicar. Eu pinico, tu pinicas…

– Quidiabé pinicar?

– Pinicar é beliscar.

– Não seria biliscar?

– Rachega, bora falar de coisa séria.

– Bora!

– Você viu? Foi uma semana rica de muitas cagadas.

– Conta! Conta!

– Bora, pela ordem. Primeiro foi o Conká.

– O que ele fez?

– Desrespeitou a Constituição e aplicou censura prévia numa pesquisa eleitoral porque os entrevistados não responderam às perguntas do jeito que ele queria.

– Égua! E a segunda?

– Quem fez a segunda cagada foi um tal de Nojeira.

– O que ele fez?

– Cagou tanto que encheu a privada do jatinho da empresa Voar Caro. E ainda queria mesada de meio milhão.

– Todo mês?

– Claro, se é mês…ada, haha.

– E eu pensando que mesada era alguma cesta básica que se põe à mesa… Ainda tem mais?

– Tás gostando? Pois tem mais, muito mais. Tem a terceira cagada.

– Quem cagou?

– Dessa vez foi um professor-doutor que terminou de encher o penico. Ele fazia uma palestra brilhante sobre Fenomenologia da Ética, Moral e Bons Costumes, assim, todo cheio de pose. De repente a ex-companheira emergiu no meio do auditório lotado da universidade e começou a gritar, cobrando a pensão alimentícia da filhinha de 17 anos, que estava atrasada. Por aí dá pra ver como os professores ganham muito mal. Depois de ouvir a plateia gritar “paga a pensão!”, o doutor saiu “à inglesa”, como dizem os franceses.

– Deixa ver se entendi. O primeiro cagou, porque desrespeitou a Constituição. O segundo, porque PAGOU a mesada. E o terceiro, porque NÃO PAGOU a mesada haha. Eita, que história doida!

– Calma, ainda não terminei. Pelo menos teve uma cagada digna.

– Como assim?

– Não soubeste? Uma atleta piauiense cagou-se toda enquanto participava de uma maratona no Rio de Janeiro.

– Eita!

– Eita, mesmo! Ela concluiu o percurso com a maior dignidade. Foi a salvação da República da Cajuína. Pena que as outras repúblicas do Brasil não tiveram um final feliz como esse e continuam mal cheirosas, é só conferir. Acabaram de cagar feio na República do Acarajé. Mas essa moda começou mesmo foi na República de Curitiba. Daí choveu muita merda nas demais repúblicas. E chove até hoje!

-Eita! Vou comprar uma capa protetora e um guarda-chuva chinês na loja de importados, porque o TSE vai deixar o ventilador ligado até o dia das eleições.

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