SIM, É A ECONOMIA

(Artigo de opinião)

 

Vitor de Athayde Couto

 

A infância é a idade certa para brigar.

A juventude, para o amor.

E a velhice, para acumular riquezas.

(Provérbio chinês)

– Eita, agora, já é a Economia? Antes, não era – perguntaria o leitor.

– Não, não era.

– E então?

– Calma, eu explico. No artigo de opinião “Não é a Economia” (Portal Costa Norte e Youtube), eu me referi só ao Brasil. O ministro, também. Agora, bora sair do Brasil e pegar o exemplo da guerra anunciada dos EUA com o Irã. Lembra daquelas brigas na saída do colégio? A galera, ansiosa, fica inticando até irritar dois colegas, jogando um contra o outro. Para agilizar a briga, um líder estudantil, bem grande e truculento, cospe duas vezes no chão. Em seguida, anuncia suas próprias regras, com voz forte e decidida:

– Ninguém corre do pau, senão apanha de todo mundo! Agora, atenção! – grita, apontando para o chão – Este cuspe aqui é a mãe do Zé, e aquele outro é a mãe do Chiquim. Agora, eu quero ver quem pisa primeiro, bora!

– Pi-sa! Pi-sa! – grita a galera, batendo forte nos livros e cadernos.

Na guerra contra o Irã, o cuspe do líder estudantil é escuro como petróleo.

– Ah, então é a Economia!

– Sim, fora do Brasil, em outros países, as coisas são mais fáceis de entender, até mesmo para os principiantes. Repare, um lado tem aquele porta-aviões que apoiou a invasão do país onde se encontra a maior reserva de petróleo. Então, por que não controlar também a segunda maior reserva de gás? O problema é que dessa vez o outro lado tem o estreito de Ormuz, por onde passam mais de 20% do petróleo e gás mundiais. É uma verdadeira rota da riqueza.

– E pra onde vai todo esse petróleo e gás?

– Vai para as maiores economias do continente mais importante.

– A América?

– Não.

– A Europa?

– Também não.

– E que continente é esse?

– Ásia, já ouviu falar?

– Bem, cheguei a ver o material didático do meu filho caçula, que estuda numa escola cívico-militar. Não encontrei quase nada sobre a Ásia. O que mais se vê no livro é a América. Na capa do caderno, a bandeira dos EUA é ladeada pelos Vingadores, tendo à frente o escudo do capitão América. No meu tempo, todo caderno trazia a bandeira do Brasil e a letra do Hino Nacional Brasileiro.

– E a guerra?

– Ora, começar ou terminar guerras, isso é só promessa de campanha eleitoral. Lembra que o cuspe no chão não podia secar? E que, se secasse, os dois valentões acabariam apanhando da galera? Pois é, o cuspe secou e a guerra com o Irã não começou. Nem a paz na Ucrânia. Ia ser bem rapidinho, não ia? Então, como os estudantes não brigam mais como antigamente, o cuspe seca no chão e ninguém sabe mais quem é a mãe de quem. Do pai, nem se fala.

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