O plenário da Câmara Municipal de Parnaíba viveu momentos de pura ebulição política e bate-boca acalorado durante a sessão extraordinária realizada na noite desta quinta-feira (06.08.2026). O motivo da discórdia foi a convocação dita “relâmpago” para a eleição da Mesa Diretora do biênio 2027/2028. Entre acusações de traição, farpas cruzadas e a necessidade de intervenção da Polícia Militar dentro do Plenário para evitar agressões, a chapa única liderada pelo veterano vereador Ronaldo da Silva Prado consagrou-se vencedora com 14 votos favoráveis.

A votação, que definiu o comando do segundo maior poder da cidade com quase cinco meses de antecedência do próximo período legislativo, expôs o racha entre o grupo do atual presidente da Casa, Daniel Jackson, e parlamentares ligados à articulação da prefeitura local.

O clima esquentou antes mesmo da leitura da chapa. A insatisfação de parte dos vereadores explodiu contra a publicação do Edital de Convocação nº 01/2026, veiculado no final da tarde do dia anterior. A oposição denunciou que o pleito foi “atropelado”, ferindo prazos regimentais e o princípio da transparência.

O vereador Batista do Catanduvas apresentou recurso pedindo a suspensão imediata do processo. O parlamentar alegou violação a jurisprudências do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a contemporaneidade na escolha das Mesas Diretoras e criticou a criação da figura regimental da “sessão ordinária em caráter extraordinário”.

A Comissão de Legislação e Justiça (CCJ), contudo, rejeitou o pedido e o plenário manteve a tramitação. Paralelamente, uma liminar tentada na Justiça Comum por oposicionistas para travar a sessão acabou sendo indeferida pouco antes do desfecho do pleito.

Durante a justificativa individual dos votos, o tom subiu a patamares raros na história do Legislativo parnaibano. O vereador Juan Benício subiu o tom contra o processo, classificando o pleito como uma “farsa e uma vergonha” e disparando que a Casa contava com “cânceres que precisam ser eliminados”. Em outro ponto da bancada, o vereador Maxuel Brandão dirigiu ataques diretos à presidência da Casa, acusando o presidente Daniel Jackson de “traidor”.

O momento mais crítico ocorreu quando discussões paralelas e ameaças de embate físico entre parlamentares paralisaram os trabalhos. A desordem forçou o presidente Daniel Jackson a interromper a sessão e determinar a entrada de agentes da Polícia Militar de Piauí no plenário para garantir a segurança dos presentes e a integridade física dos parlamentares.

Superados os tumultos e suspensões temporárias, a contagem oficial confirmou a consolidação do grupo articulador do vereador Ronaldo Prado.

Composição da Mesa Diretora (2027/2028)

  • Presidente: Ronaldo da Silva Prado
  • 1º Vice-Presidente: José Alves de Souza Filho (Zé Filho Caxingó)
  • 2º Vice-Presidente: João Batista Oliveira dos Santos
  • 1º Secretário: Carlos Alberto Santos de Souza (Beto Teles)
  • 2º Secretário: José Geraldo Alencar Filho (Geraldinho)
  • 1º Tesoureiro: Daniel Jackson Araújo de Souza
  • 2º Tesoureiro: Antônio Almeida Barros (Neta da COP)
  • Placar Final: 14 votos sim, 2 votos não e 3 abstenções.

Na mesma sessão, foi eleita a nova liderança do órgão corregedor da Câmara, que passará a ser gerido por uma bancada 100% feminina:

  • Corregedora Geral: Francisca das Chagas Castelo Branco Neta (Neta Castelo Branco)
  • Corregedora Substituta: Maria de Fátima Carmino Pereira Dourado (Fátima Carmino)

Após a proclamação do resultado, o presidente eleito, Ronaldo Prado, de nove mandatos parlamentares, adotou discurso conciliador e pregou a unidade da Casa para os próximos dois anos.

O atual presidente Daniel Jackson encerrou os trabalhos reforçando que a Mesa agiu dentro da estrita legalidade e transparência, lamentando os episódios de exaltação e afirmando que a vontade soberana da maioria prevaleceu no processo democrático.