Evento realizado em parceria com a Secretaria das Mulheres abordou a identificação do assédio moral e sexual, além dos protocolos institucionais de acolhimento e apuração.

Cobranças excessivas, humilhações e abordagens inadequadas no ambiente profissional ultrapassam a esfera da conduta ética e configuram crimes de violação de direitos. No Piauí, dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) revelam um salto significativo nas notificações: as denúncias de assédio registraram uma alta de 54%. Em 2023, o MPT contabilizou 212 casos de assédio moral e 15 de assédio sexual no estado. No ano seguinte, os registros subiram para 327 notificações morais e 24 sexuais, refletindo um movimento crescente de vítimas que decidem romper o silêncio.

Para debater estratégias de identificação e enfrentamento a essas práticas, a Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) sediou uma palestra em parceria com a Secretaria Estadual das Mulheres do Piauí. O assédio no ambiente corporativo se manifesta principalmente sob duas formas: moral e sexual, ambas com graves impactos na saúde mental, emocional e na dignidade dos colaboradores.

  • Assédio Moral: Caracteriza-se pela coação e constrangimento reiterados. Inclui a imposição de prazos impossíveis de serem cumpridos, piadas vexatórias ou calúnias e difamações espalhadas em grupos de mensagens (como o WhatsApp), frequentemente associadas a características físicas, étnico-raciais ou de gênero.

  • Assédio Sexual: Manifesta-se por abordagens e insinuações indesejadas, chantagens em troca de favores profissionais e o envio de mensagens explícitas, ocorrendo de forma recorrente, em especial por parte de superiores hierárquicos.

Erika Ruth Melo, gerente de enfrentamento à violência da Secretaria das Mulheres do Estado do Piauí, destaca que as mulheres permanecem como o alvo principal dessas condutas devido a fatores históricos e de desigualdade estrutural. “A desigualdade de gênero ainda é gritante no Brasil. À medida que as mulheres denunciam, isso é positivo, mas também expõe o quanto as violações acontecem. Existe todo um fundo histórico que acaba penalizando mais as mulheres”, explicou Erika Ruth Melo, gerente de enfrentamento à violência da Secretaria das Mulheres do Piauí.

A palestra realizada na UFDPar integra um conjunto de iniciativas para consolidar um ambiente acadêmico e administrativo pautado pelo respeito e pela prevenção. O reitor da universidade, João Paulo Macêdo, pontuou que o combate ao assédio é uma pauta prioritária da gestão desde 2023, envolvendo a criação de resoluções e estruturas internas voltadas à prevenção.

“Nós temos trabalhado uma série de resoluções internas e criado toda uma estrutura de prevenção à temática do assédio, aprofundando isso no cotidiano para garantir um espaço livre de qualquer situação desse tipo”, disse João Paulo Macêdo, reitor da UFDPar. Mais do que o cumprimento das exigências legais, as ações de conscientização buscam promover uma transformação cultural contínua, garantindo a dignidade e a integridade de todos os trabalhadores e estudantes.