Nos últimos três anos, o lombo do cavalo transformou-se em sinônimo de superação e recomeço no litoral piauiense. O Núcleo de Equoterapia da Polícia Militar do Piauí, sediado no 2º Batalhão em Parnaíba, já contabiliza quase 9.600 atendimentos, impactando diretamente a realidade de mais de duas mil pessoas. Muito além das estatísticas, o projeto oferece autonomia e qualidade de vida para crianças, jovens e adultos que redescobrem seus próprios movimentos a cada sessão.

O método terapêutico utiliza o cavalo como agente promotor de ganhos físicos, mentais e sociais. É indicado para um público diverso, desde pessoas com severas debilidades motoras, paralisia cerebral e síndromes raras, até indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

“Quando trabalhamos a equoterapia, estimulamos o tônus muscular e o equilíbrio dinâmico e estático. Trazemos novas valências físico-motoras para que o praticante ganhe autonomia nas atividades diárias”, explica o Sargento Clécio Souza, da PM-PI.

Segundo o sargento, muitos problemas cotidianos têm raiz na falta de estímulos básicos na infância. “Muitas vezes, a criança tem dificuldade na escrita e o problema não está na apreensão do lápis, mas na falta de força funcional. Trazemos tudo isso para uma avaliação técnica e fazemos o trabalho com o auxílio do cavalo”, pontua.

Para quem acompanha a rotina de perto, os resultados são celebrados como grandes vitórias. É o caso de Seu Pedro, morador de Bom Princípio do Piauí. Duas vezes por semana, ele viaja cerca de 40 quilômetros até Parnaíba para levar o filho, Ravi, diagnosticado com autismo, às sessões. Os avanços do pequeno Ravi são visíveis em casa e na escola. “O Ravi evoluiu muito. Um dos principais avanços foi na fala e nas atividades motoras. Ele tinha dificuldades para segurar lápis e caneta, e hoje já percebemos a melhora. O equilíbrio e a interação com outras crianças mudaram completamente”, comemora o pai.

Além do impacto social direto, o Núcleo da PM transformou-se em um polo de formação acadêmica na Planície Litorânea. O espaço recebe constantemente visitas técnicas e estagiários de graduação como Psicologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Pedagogia. Para a coordenação do projeto, abrir as portas para as universidades é uma forma de multiplicar o alcance da terapia. Ao vivenciarem a prática, os futuros profissionais saem preparados para indicar o tratamento a novos pacientes na rede de saúde da região.

Atualmente, o núcleo conta com 35 crianças na fila de iniciação, mas a previsão é que já no próximo mês de agosto 12 novos praticantes sejam chamados para iniciar o tratamento. A recomendação da Polícia Militar é que as famílias interessadas façam a inscrição o quanto antes para garantir o agendamento nas próximas triagens.