O Piauí atingiu um feito inédito na história da sua educação pública. Os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 revelam que o Estado alcançou a nota 5 no Ensino Médio, posicionando-se em segundo lugar no ranking nacional, atrás apenas do Paraná, que obteve 5,1. Com o resultado, o Piauí consolida a maior nota das regiões Norte e Nordeste, além de figurar como a unidade federativa que mais evoluiu no Ensino Médio desde a criação do indicador.

O avanço expressivo é visto por gestores e educadores como reflexo direto do fortalecimento de políticas públicas direcionadas à sala de aula, com destaque para a expansão do ensino de tempo integral associado à formação técnica.

Segundo o secretário estadual de Educação, Rodrigo Torres, a conversão das escolas para o modelo de tempo integral foi o principal motor dessa transformação. “O Piauí teve o melhor resultado de sua história no Ideb de 2025 e foi o único Estado, junto com o Paraná, a alcançar uma nota acima de 5. Isso mostra que o nosso projeto de escolas de tempo integral com curso técnico gera resultados efetivos para a nossa rede e para o Piauí como um todo”, destacou o gestor.

A conquista, no entanto, não ocorreu por acaso. A trajetória até o topo do ranking exigiu planejamento estratégico, especialmente no período pós-pandemia, quando os déficits de aprendizagem se intensificaram.

Em Parnaíba, o professor da rede estadual e especialista em Educação, Lucivaldo Quixaba, explica que o trabalho começou pela análise minuciosa de dados individuais dos estudantes. “Foi feita uma pesquisa para identificar o que cada aluno deveria ter aprendido na sua série e que ainda não havia absorvido. A partir daí, implementamos uma política de intervenção focada na recomposição do ensino”, pontua Quixaba.

Outro pilar fundamental foi a formação continuada do corpo docente. O modelo piauiense passou a garantir momentos semanais de alinhamento pedagógico por áreas do conhecimento, reunindo professores de Matemática, Linguagens e Ciências da Natureza para planejar estratégias conjuntamente.

Esse acompanhamento constante refletiu-se em disciplinas historicamente temidas, como a Matemática. Para o professor Lucivaldo, desmistificar a matéria foi essencial. “Muitos veem a Matemática como vilã no início do Ensino Médio. Mas a Matemática dessa etapa é de aplicação; ela só se torna difícil se conceitos do Ensino Fundamental não foram bem consolidados. Trabalhar essa base foi decisivo para o avanço dos alunos”, explica.

Apesar da comemoração pelo segundo lugar no país, educadores reforçam que a consolidação dos índices exige atenção aos desafios estruturais da rede pública.

Para Lucivaldo Quixaba, o avanço contínuo depende do fortalecimento da valorização docente e da melhoria física das unidades escolares, muitas das quais funcionam em prédios construídos nas décadas de 1960 e 1970. “A política de tempo integral é necessária e transformadora, mas precisa de adaptações contínuas. As escolas físicas precisam ser aprimoradas para esse modelo. Além disso, o professor não pode dar de 10 a 14 aulas por dia, entrando no piloto automático. Ele precisa de tempo para estudar, planejar e produzir”, pondera o especialista.

Mais do que números em um ranking, o resultado do Ideb 2025 simboliza um resgate na expectativa de futuro dos jovens piauienses. Criar um ambiente onde o aluno compreenda o impacto do estudo em sua vida é, segundo especialistas, o ingrediente final para a transformação social por meio da escola.

“Precisamos elevar a autoestima do nosso estudante e criar expectativas reais. O aluno só se dedica quando percebe que o conhecimento trará um retorno prático para a sua vida. O resultado que alcançamos prova que, quando investimentos, comunidade e escola caminham juntos, a educação de fato transforma a realidade”, conclui o professor Quixaba.