O Instituto Tartarugas do Delta acompanhou o nascimento e a liberação ao mar de mais de 2 mil filhotes da tartaruga de pente, no litoral do Piauí, neste fim de semana, 27 e 28 de março. Segundo a bióloga Werlanne Magalhães, vice presidente do Instituto, o trabalho do monitoramento é muito importante para a garantia de sobrevivência dos animais.

 

Werlanne contou que o trabalho do Instituto inicia em janeiro e segue até setembro, em média, que é o período de desova das fêmeas e de eclosão dos ovos. Depois que as fêmeas chegam ao litoral piauiense, elas colocam em média 120 ovos, divididos em até três ninhos, que irão eclodir dentro de cerca de 60 dias.

 

 

“Durante todo esse período, nós ficamos monitorando todo o litoral piauiense, nos lugares onde sabemos que as fêmeas costumam escolher pra desovar. É muito importante o trabalho para garantir que os ovos sejam mantidos em segurança durante todo o período, até que possam ser liberados para o mar”, descreveu a bióloga.

 

Esse trabalho é feito diariamente e inclusive durante a noite, que é o horário em que as fêmeas fazem seus ninhos. Nesse momento, os membros da ONG catalogam as fêmeas e vistoriam e sinalizam os ninhos, para saber se os ovos estão seguros e evitar que sejam destruídos.

 

 

Ela destacou que o Piauí é um local muito importante porque é o estado onde as cinco espécies de tartarugas marinhas, existentes no Brasil, depositam seus ovos. As mais comuns são a tartaruga de pente, a tartaruga oliva e a tartaruga de couro.

 

Até o momento, em 2021, já foram localizados pelo instituto 98 ninhos e mais de 2 mil filhotes foram liberados para o mar. Em média, todos os anos no Piauí são registrados cerca de 850 ninhos e nascem 12 mil filhotes de tartarugas.

 

Segundo o Instituto, uma tartaruga vive em média 90 anos e há casos de tartarugas fêmeas reproduzindo durante cerca de 40 anos. Elas costumam retornar ao local onde nasceram para colocar seus ovos, atingindo a idade reprodutiva entre os 25 e 30 anos.

 

 

Instituto sem financiamento

 

A bióloga destacou que, apesar da importância do trabalho, ele pode deixar de ser feito porque no momento os integrantes estão trabalhando de forma voluntária, por falta de financiamento.

 

Por não terem vínculo governamental, a ONG sobrevive do financiamento da iniciativa privada e, no momento, não está sendo beneficiada por nenhuma empresa.

 

 

“Temos que colocar combustível no veículo que usamos para fazer o monitoramento, tirando dinheiro do nosso bolso. Por enquanto estamos conseguindo manter, mas em breve não iremos conseguir. É um trabalho que depende desse suporte financeiro”, explicou.

 

Fonte: G1/PI