A Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) divulgou, nesta quarta-feira (23), a quarta edição do Boletim de Dados de Violência Contra a Pessoa LGBTQIAPN+. O levantamento, produzido pela Superintendência de Cidadania e Defesa Social (SUCID) em parceria com a Gerência de Análise Criminal e Estatística (GACE), traz um panorama detalhado dos crimes registrados ao longo de 2025 em todo o estado.

No total, o documento contabilizou 1.949 registros de vítimas pertencentes à comunidade, espalhados por 157 dos 224 municípios piauienses. A abrangência espacial revela a interiorização das ocorrências, embora os grandes centros urbanos ainda concentrem o maior volume de casos. Teresina lidera o número de denúncias, com 1.029 registros, seguida por Parnaíba, com 176, e Picos, que somou 50 ocorrências.

Diferente do senso comum que atrela a violência apenas a agressões físicas diretas, o relatório aponta que o estelionato foi o crime de maior incidência, representando 24,73% do total das ocorrências. Em seguida aparecem os crimes de ameaça (14,37%) e furto (12,67%). Completam a lista das infrações mais recorrentes os crimes de injúria (6,93%), invasão de dispositivo informático (6,72%) e roubo (6,72%).

O estudo também chama a atenção para onde os atos violentos ocorrem: as residências das próprias vítimas figuram como o principal local das ocorrências, somando 26,63% dos casos. O ambiente virtual (internet e redes sociais) aparece em segundo lugar, sendo o cenário de 18,37% dos registros.

Perfil das vítimas: juventude e população negra em vulnerabilidade

O mapeamento da SSP-PI desenha um perfil sociodemográfico bem definido dos alvos de violência no Piauí:

  • Faixa etária: A população jovem é a mais afetada. Pessoas entre 18 e 24 anos correspondem a 25,65% das vítimas. Quando expandida a faixa para até 34 anos, o número salta para 65,52%. A média geral de idade ficou em 32,4 anos.

  • Raça e cor: A maioria expressiva dos atingidos é negra. Pessoas pretas e pardas representam, juntas, 71,93% das vítimas registradas.

  • Orientação sexual e identidade: O relatório destaca que pessoas bissexuais formam o maior grupo atingido, representando 30,89% dos registros, seguidas por homens e mulheres gays, com 22,16%.

A publicação do boletim tem como objetivo fornecer subsídios estatísticos para a elaboração e o aprimoramento de políticas públicas de segurança e proteção voltadas à comunidade LGBTQIAPN+ no Piauí.