Piauí enfrenta agravamento da seca até novembro com temperaturas de até 2 °C acima da média e El Niño “muito forte”.
Com setembro e outubro historicamente secos, previsão da Semarh indica aumento do déficit hídrico, alto risco de queimadas e chuvas irregulares apenas a partir de novembro no Sul do estado.
O estado do Piauí entra no trimestre de setembro, outubro e novembro de 2026 com tendência de agravamento gradual das condições de seca. De acordo com o mais recente Informe Climático divulgado pela Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos (Sampece), vinculada à Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh-PI), o cenário exige atenção devido à combinação de temperaturas acima da média, baixa umidade do ar e escassez de chuvas em grande parte do território.

Calor extremo e termômetros em alta
A previsão para o trimestre indica que as temperaturas devem ficar entre 0,5 °C e 2,0 °C acima da média histórica na maior parte do Piauí. Esse aquecimento vem na sequência de um mês de agosto em que os termômetros já registraram marcas elevadas, ultrapassando os 36 °C na maior parte do estado. Entre os destaques figuraram os municípios de Oeiras (38,6 °C), Castelo do Piauí (37,8 °C), Campo Maior (37,7 °C) e a capital Teresina (37,6 °C).
A elevação térmica acentua a perda de água por evaporação e reduz a umidade do solo e da vegetação, aumentando os riscos ambientais.
Chuva insuficiente e déficit hídrico de até 150 mm
Historicamente, setembro e outubro figuram entre os meses mais secos do ano no Piauí. A transição para o período chuvoso só deve dar os primeiros sinais a partir de novembro, concentrada no extremo sul e em partes do sudoeste piauiense. No entanto, os meteorologistas alertam que essas precipitações serão espacialmente limitadas e irregulares, incapazes de promover uma recuperação hídrica em escala estadual.
Em setores do sudoeste, o déficit de chuva em relação à média climatológica pode chegar a 100 mm. Já no centro-norte do estado, o déficit hídrico acumulado pode ultrapassar os 150 mm em novembro.
El Niño atinge probabilidade de 97% de intensidade “muito forte”
O panorama climático estadual é pressionado pelo contexto oceânico global. Dados da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA/CPC) indicam 100% de chance de permanência do El Niño no trimestre, com 97% de probabilidade de se consolidar como um evento “muito forte”.
A equipe técnica da Semarh ressalta que o El Niño não é a causa direta da estação seca piauiense, mas atua intensificando a estabilidade atmosférica, o aquecimento e o déficit de água no solo.
Avanço da seca e áreas de atenção
Embora a quadra chuvosa de 2026 tenha apresentado volumes mais favoráveis do que em 2025 — permitindo que o estado iniciasse o segundo semestre em situação menos crítica e sem registros de seca extrema ou excepcional —, a estiagem voltou a avançar no segundo semestre.
Atualmente, observa-se o avanço da seca fraca no Norte do estado e o agravamento localizado para seca grave na faixa de divisa com a Bahia e Pernambuco.
Diante desse quadro, o relatório assinado pelo climatologista Dr. Pedro Aderaldo alerta para o aumento das condições favoráveis à propagação de incêndios florestais, a pressão sobre pequenos reservatórios e o crescimento da demanda por água para consumo humano, dessedentação animal e atividades agrícolas. O monitoramento contínuo e a adoção de medidas preventivas seguem recomendados para todo o estado.
Termômetros até 2 °C acima da média ameaçam acelerar a seca no Piauí
