Agosto Lilás em Parnaíba: ações reforçam a importância da denúncia de violência contra as mulheres
No mês de conscientização em alusão ao Agosto Lilás, a sociedade de Parnaíba se une para dar voz e combater a violência de gênero. A data de 27 de agosto carrega um significado doloroso: marca exatamente um ano da trágica perda de Penélope Brito, comandante da Guarda Civil Municipal de Parnaíba, vítima de um crime que abalou todo o Estado do Piauí. Relembrar este caso reforça que a violência contra a mulher não escolhe perfil, cargo ou posição social, e reafirma a denúncia como a ferramenta mais poderosa para prevenir tragédias e salvar vidas.
Apesar dos esforços contínuos das forças de segurança, o subregistro de agressões ainda preocupa as autoridades. Dados levantados pela Polícia Militar revelam o tamanho do desafio no município. “Fiz um levantamento nos últimos seis meses para a gente ter um parâmetro. Em mais de 3 mil ocorrências, 3,5% correspondem a casos de violência contra a mulher. Desses registros, apenas 22 resultaram em prisão em flagrante. As demais ocorrências foram encerradas no próprio local”, relata a sargento da Polícia Militar, Ryana Pontes.

A sargento explica que esses números refletem a desistência ou o receio de muitas vítimas durante o atendimento inicial. “Isso quer dizer que muitas mulheres desistem, não informam o que aconteceu ou negam o fato. Queremos reforçar o compromisso da Polícia Militar e dizer que estamos lá para acolher. Essa mulher que uma vez desistiu: quando ligar novamente, nos receba e informe de fato o que aconteceu para que a gente possa ajudar”, explica Ryana.
Nessa estrutura de amparo, a atitude de denunciar é o passo fundamental para quebrar o ciclo do silêncio e combater a impunidade. As forças de segurança atuam oferecendo o suporte necessário para que a vítima se sinta protegida do início ao fim do processo, por meio de iniciativas como a Patrulha Maria da Penha e a Patrulha Maré da Penha.
Se a mulher deseja denunciar ou solicitar medidas protetivas de urgência, a equipe policial faz o acompanhamento completo durante todo o processo. Para isso, os policiais buscam a vítima em sua residência e a conduzem com segurança até a delegacia. Caso seja necessário, eles também acompanham a mulher de volta à casa para a retirada de seus pertences pessoais, garantindo sua total integridade física, e realizam o encaminhamento seguro até o seu lar ou a um local de abrigo.
A sargento Ryana Pontes ressalta que o trabalho ocorre de forma conjunta entre Estado e Município. A rede conta com o apoio da Prefeitura de Parnaíba e de instituições como a Casa Samaritana para o abrigo temporário. Além disso, a delegacia realiza o primeiro atendimento psicológico e encaminha a vítima para acompanhamento gratuito oferecido pelo município, permitindo a superação do trauma e o rompimento definitivo do ciclo de violência.
Para além da repressão ao crime, Parnaíba promove ações contínuas de prevenção e acolhimento. Como parte da mobilização do Agosto Lilás, a Câmara Municipal realizou uma audiência pública dedicada a debater a garantia de direitos e a construção de políticas públicas mais eficientes.

A Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (SEDESC) também intensificou o trabalho de conscientização nas comunidades por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). “As ações do Agosto Lilás estão sendo realizadas em Parnaíba com palestras educativas e preventivas em todos os bairros. Tivemos a solenidade alusiva a essa data tão importante — um trabalho que mantemos durante todo o ano — e realizaremos a panfletagem de encerramento da campanha na Praça de Santo Antônio”, destaca Flanúcia Nascimento, coordenadora do CRAS João XXIII.
Combater a violência contra a mulher é um dever coletivo. Quando a sociedade, o poder público e as forças de segurança se unem para acolher e proteger, o silêncio dá lugar à força, à esperança e à vida.
Agosto Lilás em Parnaíba: ações reforçam a importância da denúncia de violência contra as mulheres
