A sensação é compartilhada por muita gente nos últimos meses: espirros, coriza, corpo pesado e a impressão de que as viroses estão vindo com força total. Para muitos, fica o sentimento de que mal se recuperaram de um resfriado e já estão gripados novamente. Mas será que existe uma nova “supergripe” em circulação ou o nosso sistema imunológico é que mudou? A resposta para esse mistério está na quantidade de microrganismos diferentes que estão dividindo o mesmo espaço. O que parece ser uma única doença persistente é, na verdade, uma sequência de infecções causadas por agentes distintos.

De acordo com a virologista Dra. Anna Toledo, o cenário atual é de intensa co-circulação de múltiplos vírus. O paciente não está diante da mesma gripe que vai e volta, mas sim sofrendo infecções sucessivas. “O grande problema que nós temos é que não é só o vírus da gripe, tem outros vírus circulando. Então, a gente tem, além do vírus da gripe, o vírus da covid, o metapneumovírus, o rinovírus, o vírus respiratório sincicial, os parainfluenza e os adenovírus”, explica a virologista.

Como a sintomatologia de todas essas doenças é muito parecida, a confusão é natural. “Na verdade, a pessoa teve duas infecções diferentes por dois vírus diferentes. (…) Geralmente, você não tem a mesma infecção pelo mesmo vírus, porque você monta uma imunidade contra ele”, esclarece Anna Toledo.

Outro fator crucial para que os sintomas pareçam mais agressivos agora tem raízes no período de isolamento social enfrentado anos atrás. Ao nos protegermos em casa, reduzimos drasticamente o contato com a cartela habitual de vírus cotidianos. “Quando a gente voltou novamente a ter contato com esse vírus, é como se o nosso sistema imune tivesse meio que esquecido deles. A gente estava com uma baixa de anticorpos contra esses vírus. E aí, quando a gente os encontra novamente numa infecção, a gente acaba tendo sintomas mais pronunciados, porque o nosso corpo é como se estivesse aprendendo novamente a como combater”, analisa a especialista.

Além do fator histórico, o envelhecimento natural do corpo também dita a gravidade dos sintomas. A médica lembra que a imunidade de um jovem de 20 anos é muito diferente da de quem tem 50, 60 ou 70 anos, sendo os idosos as principais vítimas de quadros mais severos.

Com tantos agentes infecciosos no ar, a palavra de ordem continua sendo a prevenção. Surpreendentemente, duas pessoas da mesma idade podem reagir de formas completamente opostas ao serem expostas ao exato mesmo vírus. O segredo para essa balança, segundo a doutora, está no estilo de vida. “Se a pessoa se cuida, se ela se alimenta adequadamente, se ela tem boas noites de sono, se ela faz atividade física, tudo isso faz com que o sistema imune dela funcione melhor, que ela tenha nutrientes para fazer as células de defesa necessárias (…). Com certeza, o mesmo vírus em contato com pessoas que estão se cuidando e pessoas que não estão se cuidando, por mais que elas tenham a mesma idade, vai ter um impacto muito diferente”.

Recomendações práticas de proteção:

  • Para quem está saudável: Manter a carteira de vacinação atualizada, higienizar as mãos e, caso pertença a grupos de risco (idosos ou pessoas com problemas respiratórios), usar máscara em locais aglomerados.

  • Para quem está doente: Isolar-se socialmente para evitar a transmissão e, se precisar sair, fazer o uso obrigatório de máscaras protetoras.